domingo, dezembro 30, 2007

Guerra nas Estradas

Os números da Operação "Ano Novo" da Brigada de Trânsito da GNR: cinco mortos, doze feridos graves e trinta e quatro feridos ligeiros.
Não desistam. Necessitam só de melhorar um pouquinho a pontaria.

sábado, dezembro 22, 2007

Não fosse...

Não fosse a confusão no acesso das pessoas às caixas, não fosse a complexidade do sistema de colocação dos produtos nas balanças e dentro dos sacos que devem ficar sempre naquelas armações, não fosse o aparato repressivo da dupla composta pela assistente de vendas e pelo segurança que vão dizendo "não pode fazer isto" e "não pode fazer aquilo", não fosse a confusão de ranhuras e de lasers que o utente nem sabe por onde deverá passar produtos e cartões, não fosse a vozinha da máquina que nos dá constantes atestados de burridade repetindo "passe o produto e coloque-o no saco", "passe o produto e coloque-o no saco" e não fosse o facto de não ser aconselhável a utilização a quem leva mais de três produtos, as caixas self-service do CONTINENTE até seriam uma bela invenção.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Finalmente

Finalmente!
Até que enfim que alguém faz algo contra os grupos de criminosos que têm vindo a provocar a onda de insegurança no Norte. Tudo pró buraco. Cambada de meliantes. Forca ou fogueira com eles.
Sinceramente não percebo porque é que ninguém fazia nada, já que eles estavam ali, à vista de todos e bem debaixo das barbas da polícia, muitas vezes em fila, à espera de entrar pelas varandas dos apartamentos, onde montavam escadas feitas com mangueirinhas de iluminações.
Justiça!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Tudo corria pelo melhor...

Tudo corria pelo melhor naquela viagem de eléctrico entre os Jerónimos e o Museu do Coche. Os chefes de estado membros da União Europeia repartiam galhofas e sorrisos, satisfeitos que estavam com o desfecho do Tratado. Mas eis que chega o revisor e começa a pedir os bilhetes...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Corrupção

Corrupção: (s.f.) do lat. corruptione; acto ou efeito de corromper; podridão; suborno; designa genericamente acontecimentos ilícitos verificados no Porto, mas podendo significar coisas perfeitamente normais, quando ocorridas em Lisboa.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Diário Tecnológico #2

6 de Dezembro de 2007
Foi anunciado hoje, com pompa e circunstância, a participação portuguesa com tecnologia de ponta na nova missão espacial norte-americana Atlantis. Segundo o RP da empresa responsável pela concepção da “tecnologia”, a
EFACEC, trata-se de um aparelho que “serve para medir” (sic) qualquer coisa relacionada com a órbita terrestre, constituindo um importante contributo da tecnologia nacional para o sucesso daquela missão espacial.

Depois do sucesso do contrato de fornecimento de agrafos alcançado pela Papelaria Meireles junto da NASA que muito contribuiu para a segurança e estabilidade das folhas de papel nas mãos dos astronautas entorpecidas pela acção da gravidade, a produção científica made in portugal alcança assim um novo êxito pela introdução das réguas de acrílico molin 40cm no programa espacial norte-americano.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Bom Português

Ontem, no “Bom Português” que passa na RTP de manhã, perguntava-se às pessoas “Na frase Preciso de colocar cartuchos na impressora, como se escreve cartuchos? Com “ch” ou com “x”?
Esta palavra homófona é tão interessante como confusa, como se pode aferir pelo exemplo escolhido , por dar azo a ambiguidades.
Cartucho (para espingardas, castanhas ou, como se exemplificou, para impressoras) escreve-se com “ch”. Cartuxo com “x” é relativo a um frade da ordem da Cartuxa
. Mas na frase “preciso de um cartucho para a impressora” é lícito responder, no meu entender, tanto cartucho com “ch” como cartuxo com “x”.
Na Idade Média as impressoras eram os scriptoria onde os monges copiavam os livros, por isso era frequente ouvir os abades dos mosteiros dizer em alturas de maior necessidade de produção de cópias “Preciso de cartuxos para a impressora”.

E esta hein?

sábado, novembro 24, 2007

Motivação para Mendigar

Um mendigo pede esmola numa das ruas pedonais de *****, ostentando um ombro onde outrora esteve um braço inteiro, gemendo no tom dos mendigos,
- Uma esmolinha para o aleijadinho, Deixe uma esmolinha para o aleijadinho...
e de repente grita com voz potente
- Maior, olha aí um isqueiro!
O tabaco é, como se verifica, o melhor dos estimulantes.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Um Gangster Português

Dois homens conversam numa mesa de um bar, quando um rapaz, aparentando 16, 18 anos no máximo, os aborda com ar ameaçador
- Tu não és primo do [Fulano]?
- Sou.
- Hás-de dizer ao teu primo que tenha muito cuidado... - dizendo isto vai com a mão ao bolso traseiro das calças, enquanto os dois homens ficam crispados com a situação,ao que o rapaz tira a carteira do bolso.
- ... porque da próxima vez, a coisa vai-lhe correr muito mal, entendido?
Os dois homens ficam especados a olhar um para o outro. Depois o primo do [Fulano] diz
- Eu nem te conheço, nem sei do que estás a falar; põe-te mas é a milhas! Ala, desanda!
O rapaz, com um sorriso superior, esclarece então
- Eu sou conhecido por O Mijinhas...
E disse O Mijinhas como se Mijinhas estivesse escrito em itálico e o "O" com maiúscula
- Por isso, da próxima já sabes...
E foi-se embora.

O Mijinhas, temível gangster português reconhecível pelo forte odor a urina.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Machos, Saias e Gaitas

Os Escoceses. Barbas, dentes feios, olhar duro, machos a sério; as mulheres adoram o clássico ar de cavalo fedorento. Numa palavra: maricas.
Braveheart, por exemplo. Relato romanesco da sedição escocesa dos finais do século XIII, mostra raivosos e barbudos escoceses na sua caminhada para a guerra fardados como meninas colegiais, com as suas saias de padrão, fardas militares é certo, afinal os kilts são cor verde-tropa. E as gaitas de foles para dar motivação...
Dentro da mesma linha temos a forma como são caracterizados nos anúncios da William Lawson's. Os maoris coreografam um haka e os escoceses, pimba, toca a levantar a saia.
A cara do maori é inenarrável, pensa decerto, "Chiça, ainda bem que lá em Tuvalu é quente, porque senão, ficava aqui como o escocês, mirradinho que nem uma azeitona".
É de macho, ir para a guerra de saias, ao som de gaitas...

sábado, novembro 10, 2007

De Rerum Patinorum (Acerca de Patins)

Hoje de manhã (seriam já 12h15m, mas ainda não tinha almoçado, portanto...) estava a ouvir o programa da A3 Nuno e Nando, (depois coloco aqui o link para o podcast) em que F. Alvim e N. Markl orientavam uma entrevista muito interessante com duas meninas interessantes (tudo muito interessante), a Mitó e a Susana Félix.
Confesso que gosto deste programa por ser uma espécie de filme pornográfico: é prazenteiro a um nível sórdido que chega a ser de legalidade questionável, tem sempre muita gente a participar (dois pivôs + J. Botas + dois convidados), mas com a peculiaridade de se afastar do hardcore por não ter tempos mortos, pois Nuno e Nando padecem de Horror ao Vazio, como se diz em Arte ou para os menos familiarizados com estes termos, simplesmente não conseguem fechar a matraca.
A certa altura
...

… o Alvim dizia qualquer coisa sobre a sua idade, do tipo estarem mais velhos, etc., e o Markl confidenciou então às meninas que eles (Nuno e Nando) são «DO TEMPO EM QUE OS PATINS AINDA TINHAM RODAS».

Eu também sou desse tempo. Que tempos esses. Isso é que eram patins. Não é como os de agora. Estes nem merecem o nome de patins, antes o que são, meros feet-overcrafts. Desculpem-me o perfeccionismo, mas temos de dar sentido aos termos que utilizamos. Porque os patins de rodas já só se vêem em museus e os praticantes de hóquei e de patinagem artística andam em cima de pequenos overcrafts que calçam em cada pé! Esses desportos também precisam de renomeação, respectivamente para hóquei em overcrafts e overcrafting artístico.

E as saudades que eu tenho (chamem-me revivalista) de um bom desafio de hóquei à antiga portuguesa, o hóquei em patins puxados por parelhas de cavalos. Ah, dá-me cá uma saudade...

terça-feira, novembro 06, 2007

Crónica de uma Morte Equacionada

Intróito

Os sucessos apresentados de seguida ocorreram há dois anos atrás. Há muito tempo que queria transcrever para aqui esta pérola da minha existência, mas precisei de algum distanciamento temporal (uma espécie de período de reflexão semelhante ao verificado entre campanhas eleitorais e o acto eleitoral em si, só que em maior escala), para que eu pudesse cumprir uma certa organização das ocorrências verificadas. Como à frente se depreenderá, a qualidade e complexidade dos acontecimentos exigem um texto concomitante com a acção desenvolvida, por isso difícil de alinhar, para que os dois leitores regulares deste espaço se possam deleitar com a magnitude do acontecimento. Para se preservar o encadeamento da acção resolvi apresentar as versões dos dois principais intervenientes, isto é, eu próprio e a minha mulher, à medida que a acção vai discorrendo.


Como eu recordo os acontecimentos...

Cheguei a casa e fechei a porta à chave. Como já eram umas 4h30m, despi-me na sala para não acordar a minha mulher. Depois das rotinas higiénicas com gestos furtivas como os dos caçadores, deitei-me, mas a minha mulher não estava na cama. Só então me lembrei que ela tinha saído com as amigas. Fechei os olhos e adormeci.
Sinto que alguém me puxava por um pé e sacudia a minha perna. Abri os olhos, mas a luz do candeeiro não me permitia distinguir nada. Fechei os olhos outra vez. Então ouvi claramente
- Chefe! Chefe!
Abri os olhos e deparei-me com um bombeiro que me segurava no pé, à direita dele estava um polícia, mais para a direita o meu vizinho do 4º Dto., à entrada do quarto estava o meu vizinho do 2º Esq. e ao lado da cama, com os olhos assustados estava a minha mulher. Disse o bombeiro
- Então chefe? Chegava cá um ladrão, roubava tudo e você nem se apercebia.
Eu, nem pio. O coração cavalgava ferozmente no meu peito para que pudesse dizer algo. Lá me sentei na cama, olhei para a minha mulher que agora chorava de alívio, puxei-a para mim para a acalmar e o meu vizinho do 4º Dto. disse
- Então pá, a tua mulher aqui preocupadíssima e tu não acordas?
Esmagado por aquele quadro de fardas e pijamas escabrosos que nem o Rudolf Nureyev se atreveria a vestir, só consegui articular
- Eu... eu estava a dormir.
Lembro-me de dar os meus dados ao agente da polícia à porta do apartamento, descalço e a tiritar de frio, ou de susto, de adormecer outra vez... não me lembro de mais nada.


Como a minha mulher viveu os acontecimentos...

Quando cheguei a casa faltava pouco para as 5 da manhã. O meu marido esqueceu-se de retirar a chave da fechadura, por isso não consegui abrir a porta. Ele estava em casa, ouvia-o ressonar no quarto. Toquei à campainha umas dez vezes, rezando para não acordar os vizinhos, mas ele não acordou. Telefonei então para o telemóvel dele, mas só conseguia ouvir o telemóvel a tocar na sala e a dar sinal de bateria em baixo. Comecei a ficar nervosa. Telefonei então à minha mãe e ela disse-me para ter calma e ir dormir para casa dela, que de manhã voltava para casa. Mas eu resolvi continuar a tocar à campainha.
Apareceu então o vizinho do 4º Dto. atraído pelo barulho, já que se levantava bem cedo para trabalhar. Expliquei-lhe que o meu marido deveria estar a dormir profundamente
- Ou então...
- Então o quê? - disse eu.
- Deve estar com uma cardina... ele de vez em quando bebe uns copitos...
- Pois - disse-lhe eu - se calhar esteve no café até às tantas...
- É melhor chamar os bombeiros, pode acontecer alguma coisa...
Concordei e chamei então os bombeiros. Como precisam sempre da presença da Polícia para presenciarem a entrada na casa das pessoas, chamou-se também a PSP. Chegaram bombeiros e polícia e nesta altura já todos os vizinhos da nossa entrada estavam despertos e a juntarem-se no hall do prédio. Eu já não podia com a vergonha.
Tanto os agentes da PSP como os bombeiros trataram logo de me tentar acalmar, já que eu era agora familiar de uma potencial vítima.

Bombeiro: O seu marido tem problemas de saúde? É cardíaco?
Eu: Não.
Agente da PSP: A senhora discutiu com ele?
Eu: (estranhando) Não!
Agente da PSP: (insinuante) De certeza? É que ele poderá estar a evitar que a senhora entre em casa.
Eu: Mas...
Agente da PSP: Ou então ele poderá estar com outra pessoa em casa...
Eu: (estupefacta) O quê, com uma amante?
Agente da PSP: Já aconteceu...
Eu: (incrédula) Não acredito nisto.
Bombeiro: De qualquer maneira temos de entrar em sua casa; é que um dia fomos chamados para uma situação semelhante, em que um senhor parecia estar a dormir e não acordava e quando arrombamos a porta verificamos que ele tinha tido um derrame cerebral e roncava como se estivesse a ressonar. Morreu a caminho do hospital.
Eu: (estarrecida) O quê?
Bombeiro: Vamos tentar acordá-lo, senão, temos de pedir a escada MAGIR.

O bombeiro começou então a dar fortes pancadas na porta entremeadas com gritos de
- Ó Senhor Croius, Ó Senhor Croius.
E ele sem acordar, sempre a ressonar, ou a roncar...
Chegou então o camião com a escada Magir, uma daquelas escadas extensíveis, que fazem muito barulho
- Trec Trec Trec
Nesta altura todos os vizinhos da rua estavam já acordados e à janela, eu nem conseguia pensar em nada, num misto de pânico e de vergonha, e um bombeiro do cimo da escada Magir com um megafone a orientar o operador da escada que estava em baixo
- Mais para a esquerda
Trec Trec Trec
- Mais para a direita
Trec Trec Trec
Enfim, lá encostou a barquinha da escada à varanda, entrou em casa pela cozinha e abriu-nos a porta, os meus vizinhos a dizerem-me para não entrar, porque podia ser grave e eu só queria entrar e ver o meu marido e quando lá cheguei já tinham acendido a luz e ele estava
placidamente adormecido e o bombeiro a chamar por ele
- Chefe! Chefe!
E ele abriu os olhos e voltou-os a fechar, depois abriu-os com um ar assustado, puxou-me para ele e o meu vizinho do 4º Dto. disse
- Então pá, a tua mulher aqui preocupadíssima e tu não acordavas?
E ele só conseguiu dizer
- Eu estava a dormir.

Hoje recordo com nostalgia aquela madrugada de 2005 como "O Dia em que fui acordado por um bombeiro, um polícia e o meu vizinho do 4º Dto. vestido como um índio e não era um videoclip dos Village People".

segunda-feira, outubro 29, 2007

Já só faltam...

Já só faltam cinquenta e seis dias para o Natal!!!
Ora bem 56 dias:
5+6 = 11
11 pode ser 1+1 = 2

Deve ser este o cálculo cabalístico que as associações de comerciantes e municípios fazem para colocar as iluminações natalícias: dois meses antes.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Diário Tecnológico

4 de Setembro de 2007:
Caminho de Santiago, Pontevedra - Padrón (34 Km)
Lá consegui consertar o espigão da bicicleta em Caldas de Reis, depois de ter partido a cavilha de amarração antes do Barro. Encontrei uma loja de reparação que estava a vender bom material ao desbarato por motivos de liquidação total (Total Carnificine).
Saí de Caldas em direcção ao Padrón e após uns cinco quilómetros, cheguei ao tasquinho onde já é tradição parar-se para descansar e carimbar a credencial.
Estava outro peregrino na bodega a beber uma meia de leite. (Foi aqui que encontramos no ano passado a Ann, uma enfermeira canadiana que estava a fazer o Caminho Português, depois de já ter percorrido os 900 quilómetros do Francês. Ah, com 60 anos).
O casal de velhotes que explora o tasquito é muito simpático e conversamos um pouco; pedi uma água fresquinha e um kit-kat. Quando paguei, pedi à senhora que juntasse à conta os dois cafés que o meu primo e o meu irmão lá ficaram a dever no ano passado, quando vinham de León. Contas à moda do Porto.
Mais à frente, ao passar pelo peregrino, parei para falar com ele. Alemão, estudante de Informática e Sistemas, veio para a Santiago para trabalhar nas vindimas durante as férias. Como ainda não tinham começado naquela região disseram-lhe para tentar no Porto. Chegou lá na última semana de Agosto.
- Mas vindimas só começam em meados de Setembro, disse-lhe eu.
- Eu agora sei isso, mas quando saí de Hamburgo nem tinha pensado nesse pormenor.
No comments.
Lá me contou que resolveu fazer o Caminho desde o Porto, porque tinha de voltar a Santiago para apanhar o avião e assim não desperdiçava os dias que lhe restavam. Caminhava à cinco dias, numa média impressionante de 35 a 40 km/dia, bem carregado e a bom ritmo. Ia completar o percurso em seis dias e sem qualquer preparação.
Perguntei-lhe então que tal estava a ver o caminho enquanto espaço cultural, monumental e patrimonial.
- Eu estou a gostar da experiência, da paisagem, das pessoas, mas como não sou muito cultural, tudo isso dos monumentos, dos museus e das igrejas passa-me um bocadinho ao lado.
Passamos o resto dos quilómetros que faltavam até ao Padrón a conversar sobre Defesa Nacional e Linguística Castelhana (isto não é cinismo, é a mais pura verdade).

25 de Outubro de 2007
Estou à espera pela minha mulher num dos cafés do centro de Viana do Castelo. Estão mais três clientes no café, sentados ao balcão, para além dos dois empregados. Na televisão o jogo Bolton vs Braga. Surpreendo a conversa nestes termos.
“- Olhe que eu acho que o Airbus é melhor que o 747, tem mais capacidade de manobra, é mais versátil. Ainda no outro dia estive a ler as especificações técnicas do aparelho; olhe que fiquei muito impressionado.

- Mas o acidente em Congonhas não foi com um Airbus?
- Foi, mas não podemos atribuir as culpas ao aparelho; o piloto aterrou em excesso de velocidade e em Congonhas, já se sabe, é muito perigoso, com aquelas construções mesmo em cima da pista
...”.
Paguei o café, levantei-me e saí, gritando em plenos pulmões do meu pensamento:
ISTO ESTÁ VIRADO AO CONTRÁRIO!!!!!

quarta-feira, outubro 24, 2007

Vida Académica

"Continuam as matanças de gatos, à mocada, cá na República. Uma selvajaria. Só quem assiste a isto pode avaliar o que é um homem primitivo. Não há universidade que nos tire da idade da pedra lascada."

Miguel Torga, Diário, 1 de Março de 1933

segunda-feira, outubro 15, 2007

Esquerda ou Direita?

No outro dia fui fazer umas análises, para ver como está o funcionamento da máquina e para calibrar a minha compatibilidade antropométrica com possíveis doações, actividade desportiva, medicina do trabalho, etc e beltreca.
De madrugada, depois de embalar urina fresca no recipiente de recolhas, lá me dirigi em jejum como manda a legislação da colheita de análises para a clínica. Ali fui recebido por um daqueles técnicos de ar dantesco, outrora frequentes nas morgues e nos hospitais psiquiátricos dos anos 50, que preencheu enfadado o formulário após o que me conduziu para a “sala de colheitas”, nome tão pomposamente rural e descabido para aquele sítio, porque mais valia o nome “sala de tortura” ou “sala da cadeira e da marquesa”, já que lá só existia uma cadeira e uma marquesa.
Apontou-me a cadeira, daquelas forradas a napa preta, com um único apoio para o antebraço do lado esquerdo. Tirei a camisola e sentei-me. Como o técnico se colocou à minha direita, eu enrolei a manga direita da camisa e estiquei o braço dextro, esperando que ele acabasse de colar as etiquetas com os códigos de barras numa série de pequenas provetas. Findo esse trabalho, volta-se para mim, olha para os meus braços e pergunta
- Qual é o braço que prefere, o esquerdo ou o direito?
Eu ainda indico com os olhos o braço direito previamente desnudo até cima, mas ele desvia-se com um
- O esquerdo? Pois muito bem, ponha lá o bracinho à mostra.
Eu, esmagado com a capacidade de persuasão do meu olhar, lá enrolei a manga esquerda, ficando de mangas arregaçadas, ao que o tipo atira
- Pois é, parece que chegou o tempo fresco!

"NEM DE PROPÓSITO, CARALHO", quis-lhe dizer, mas só me saiu
- É o tempo dele.
Poderemos extrair uma certa moralidade desta experiência, para além da temática meteorológica que o português tanto aprecia quando não há assunto.
Valerá mais um esquerdo apoiado, que um direito arregaçado.

Croius

segunda-feira, julho 30, 2007

Uma Questão de Propriedade

Propriedade. É disto que se trata. A César o que é de César.
Grandes e inusitadas cheias na Grã Bretanha e a Direcção de Informação da RTP envia logo NOÉ Monteiro para efectuar a cobertura da enchente, com barbas brancas e tudo. Transcendência e rigor de proporções bíblicas. O Serviço Público está a dar a volta por cima. Assim vamos lá.

quarta-feira, julho 04, 2007

Futebol, esse grande espectáculo de cor...

Estou mortinho por ver o Nuno Gomes enfiado no novo fato de bailado do Benfica. De maillot cor de rosa, com pointes e um tutu, ai ninas, que elegância no pas de golos.

sábado, junho 23, 2007

Quanto vale a vida humana...

Há oito anos, numa véspera de S. João, apercebi-me o quanto vale a vida humana. De certo modo existe um fio de ironia na forma como, em ambiente tão festivo e popular, se conseguem observar as pequenas evidências filosóficas que norteiam a nossa parca existência. Este paleio parecia mesmo letras do J-P. Sartre.
À volta da rua onde eu morava existiam ilhas (para quem não sabe o que são, procurem num dicionário de urbanismo ou vão ao Porto e perguntem por lá o que é, menos na Câmara, porque eles dizem logo não existem) e por alturas do S. João reuniam-se os seus habitantes num animado bailarico ali defronte da maternidade Júlio Diniz. Era animação até às tantas.
Eu mais oito rapazes da casa tratamos de participar, até porque habitantes do distrito, não éramos estranhos àquela gente. E também era uma oportunidade para engatar as meninas da residência feminina vizinha que mais parecia uma congregação de freiras com recolher obrigatório às dez horas todos os dias, mas porque aquele dia era tão especial, elas tinham licença para sair até à meia-noite. E todos sabemos o que é uma mulher presa quando se apanha solta.
Iam-se embora as meninas, suadas de dançaricos e de outros folguedos, mas nós ficávamos; apontávamos então os canhões para o magote de velhas a cheirar a peixe e sardinhas e novas desdentadas com olhos de droga e passávamos a noite a dançar e a rir, entrecortando o bailado com vinho das tascas, sardinhas e cervejas.
Num deses intervalos, um dos nossos, entusiasmado com a festarola tão típica e genuína, chegou-se a uma daquelas roulottes e resolveu pagar uma rodada aos seus camaradas e aos restantes presentes
- Sai aí doze cervejas fresquinhas, qu'eu pago, caralho!
- Ah leão, dissemos nós, dando urros de alegrias.
Nisto, os três indivíduos que não pertenciam ao nosso grupo, de aspecto indizível e caras entremeadas de pólvora e fósforos, abeiram-se de nós, envolvem-nos com os braços apertados pelo pescoço e o principal deles atira
- Meus amigos, generosidade destas não se esquece; se um dia precisarem de alguma coisa, de apagar alguém, ou assim, estámos à vossa disposição. Basta chegar aqui e perguntar pelo (...)
A vida humana valia, à altura, uma cerveja; hoje, devido à correcção monetária e à subida das taxas de juro, vale um pack de seis.

sexta-feira, junho 01, 2007

A Suar Dinheiro

Interessante esta nova tendência das grandes marcas se associarem a atletas de alta competição para assim promoverem os seus serviços. Cristiano Ronaldo no BES. Também na banca anda o alpinista João Garcia. Já Nélson Évora (triplo- salto) e Nuno Merino (ginasta) fazem campanha por uma bebida energética. E lembram-se quando Francis Obikwelu acelerava no serviço 8 mb de internet para ser vencido por uma velhinha? E a Dora Gomes que fazia a publicidade a tampões OB? É que agora faz à Tampax!
Tudo oportunidades, mas existem falhanços. A Epilady falhou um autêntico Euromilhões ao não aproveitar o antes/ depois do bigode da Fernanda Ribeiro. E Vanessa Fernandes , a heroína do momento, ainda não foi repescada para o mundo do marketing desportivo. Mas não tarda muito que se veja um filmezinho na TV onde ela, depois de nadar, pedalar e correr cortará a meta e dirá, com aquele sorriso de arame:
"As pessoas perguntam-me como é que eu aguento as virilhas assadas de tanto andar por aí a correr em fato de banho. Respondo-lhes com Margarina Vaqueiro. Os assados saem sempre bem".