sexta-feira, novembro 23, 2007
Um Gangster Português
- Tu não és primo do [Fulano]?
- Sou.
- Hás-de dizer ao teu primo que tenha muito cuidado... - dizendo isto vai com a mão ao bolso traseiro das calças, enquanto os dois homens ficam crispados com a situação,ao que o rapaz tira a carteira do bolso.
- ... porque da próxima vez, a coisa vai-lhe correr muito mal, entendido?
Os dois homens ficam especados a olhar um para o outro. Depois o primo do [Fulano] diz
- Eu nem te conheço, nem sei do que estás a falar; põe-te mas é a milhas! Ala, desanda!
O rapaz, com um sorriso superior, esclarece então
- Eu sou conhecido por O Mijinhas...
E disse O Mijinhas como se Mijinhas estivesse escrito em itálico e o "O" com maiúscula
- Por isso, da próxima já sabes...
E foi-se embora.
O Mijinhas, temível gangster português reconhecível pelo forte odor a urina.
quarta-feira, novembro 14, 2007
Machos, Saias e Gaitas
Braveheart, por exemplo. Relato romanesco da sedição escocesa dos finais do século XIII, mostra raivosos e barbudos escoceses na sua caminhada para a guerra fardados como meninas colegiais, com as suas saias de padrão, fardas militares é certo, afinal os kilts são cor verde-tropa. E as gaitas de foles para dar motivação...
Dentro da mesma linha temos a forma como são caracterizados nos anúncios da William Lawson's. Os maoris coreografam um haka e os escoceses, pimba, toca a levantar a saia.
A cara do maori é inenarrável, pensa decerto, "Chiça, ainda bem que lá em Tuvalu é quente, porque senão, ficava aqui como o escocês, mirradinho que nem uma azeitona".
É de macho, ir para a guerra de saias, ao som de gaitas...
sábado, novembro 10, 2007
De Rerum Patinorum (Acerca de Patins)
Hoje de manhã (seriam já 12h15m, mas ainda não tinha almoçado, portanto...) estava a ouvir o programa da A3 Nuno e Nando, (depois coloco aqui o link para o podcast) em que F. Alvim e N. Markl orientavam uma entrevista muito interessante com duas meninas interessantes (tudo muito interessante), a Mitó e a Susana Félix.
Confesso que gosto deste programa por ser uma espécie de filme pornográfico: é prazenteiro a um nível sórdido que chega a ser de legalidade questionável, tem sempre muita gente a participar (dois pivôs + J. Botas + dois convidados), mas com a peculiaridade de se afastar do hardcore por não ter tempos mortos, pois Nuno e Nando padecem de Horror ao Vazio, como se diz em Arte ou para os menos familiarizados com estes termos, simplesmente não conseguem fechar a matraca.
A certa altura...
… o Alvim dizia qualquer coisa sobre a sua idade, do tipo estarem mais velhos, etc., e o Markl confidenciou então às meninas que eles (Nuno e Nando) são «DO TEMPO EM QUE OS PATINS AINDA TINHAM RODAS».
Eu também sou desse tempo. Que tempos esses. Isso é que eram patins. Não é como os de agora. Estes nem merecem o nome de patins, antes o que são, meros feet-overcrafts. Desculpem-me o perfeccionismo, mas temos de dar sentido aos termos que utilizamos. Porque os patins de rodas já só se vêem em museus e os praticantes de hóquei e de patinagem artística andam em cima de pequenos overcrafts que calçam em cada pé! Esses desportos também precisam de renomeação, respectivamente para hóquei em overcrafts e overcrafting artístico.
E as saudades que eu tenho (chamem-me revivalista) de um bom desafio de hóquei à antiga portuguesa, o hóquei em patins puxados por parelhas de cavalos. Ah, dá-me cá uma saudade...
terça-feira, novembro 06, 2007
Crónica de uma Morte Equacionada
Intróito
Os sucessos apresentados de seguida ocorreram há dois anos atrás. Há muito tempo que queria transcrever para aqui esta pérola da minha existência, mas precisei de algum distanciamento temporal (uma espécie de período de reflexão semelhante ao verificado entre campanhas eleitorais e o acto eleitoral em si, só que em maior escala), para que eu pudesse cumprir uma certa organização das ocorrências verificadas. Como à frente se depreenderá, a qualidade e complexidade dos acontecimentos exigem um texto concomitante com a acção desenvolvida, por isso difícil de alinhar, para que os dois leitores regulares deste espaço se possam deleitar com a magnitude do acontecimento. Para se preservar o encadeamento da acção resolvi apresentar as versões dos dois principais intervenientes, isto é, eu próprio e a minha mulher, à medida que a acção vai discorrendo.
Como eu recordo os acontecimentos...
Cheguei a casa e fechei a porta à chave. Como já eram umas 4h30m, despi-me na sala para não acordar a minha mulher. Depois das rotinas higiénicas com gestos furtivas como os dos caçadores, deitei-me, mas a minha mulher não estava na cama. Só então me lembrei que ela tinha saído com as amigas. Fechei os olhos e adormeci.
Sinto que alguém me puxava por um pé e sacudia a minha perna. Abri os olhos, mas a luz do candeeiro não me permitia distinguir nada. Fechei os olhos outra vez. Então ouvi claramente
- Chefe! Chefe!
Abri os olhos e deparei-me com um bombeiro que me segurava no pé, à direita dele estava um polícia, mais para a direita o meu vizinho do 4º Dto., à entrada do quarto estava o meu vizinho do 2º Esq. e ao lado da cama, com os olhos assustados estava a minha mulher. Disse o bombeiro
- Então chefe? Chegava cá um ladrão, roubava tudo e você nem se apercebia.
Eu, nem pio. O coração cavalgava ferozmente no meu peito para que pudesse dizer algo. Lá me sentei na cama, olhei para a minha mulher que agora chorava de alívio, puxei-a para mim para a acalmar e o meu vizinho do 4º Dto. disse
- Então pá, a tua mulher aqui preocupadíssima e tu não acordas?
Esmagado por aquele quadro de fardas e pijamas escabrosos que nem o Rudolf Nureyev se atreveria a vestir, só consegui articular
- Eu... eu estava a dormir.
Lembro-me de dar os meus dados ao agente da polícia à porta do apartamento, descalço e a tiritar de frio, ou de susto, de adormecer outra vez... não me lembro de mais nada.
Como a minha mulher viveu os acontecimentos...
Quando cheguei a casa faltava pouco para as 5 da manhã. O meu marido esqueceu-se de retirar a chave da fechadura, por isso não consegui abrir a porta. Ele estava em casa, ouvia-o ressonar no quarto. Toquei à campainha umas dez vezes, rezando para não acordar os vizinhos, mas ele não acordou. Telefonei então para o telemóvel dele, mas só conseguia ouvir o telemóvel a tocar na sala e a dar sinal de bateria em baixo. Comecei a ficar nervosa. Telefonei então à minha mãe e ela disse-me para ter calma e ir dormir para casa dela, que de manhã voltava para casa. Mas eu resolvi continuar a tocar à campainha.
Apareceu então o vizinho do 4º Dto. atraído pelo barulho, já que se levantava bem cedo para trabalhar. Expliquei-lhe que o meu marido deveria estar a dormir profundamente
- Ou então...
- Então o quê? - disse eu.
- Deve estar com uma cardina... ele de vez em quando bebe uns copitos...
- Pois - disse-lhe eu - se calhar esteve no café até às tantas...
- É melhor chamar os bombeiros, pode acontecer alguma coisa...
Concordei e chamei então os bombeiros. Como precisam sempre da presença da Polícia para presenciarem a entrada na casa das pessoas, chamou-se também a PSP. Chegaram bombeiros e polícia e nesta altura já todos os vizinhos da nossa entrada estavam despertos e a juntarem-se no hall do prédio. Eu já não podia com a vergonha.
Tanto os agentes da PSP como os bombeiros trataram logo de me tentar acalmar, já que eu era agora familiar de uma potencial vítima.
Bombeiro: O seu marido tem problemas de saúde? É cardíaco?
Eu: Não.
Agente da PSP: A senhora discutiu com ele?
Eu: (estranhando) Não!
Agente da PSP: (insinuante) De certeza? É que ele poderá estar a evitar que a senhora entre em casa.
Eu: Mas...
Agente da PSP: Ou então ele poderá estar com outra pessoa em casa...
Eu: (estupefacta) O quê, com uma amante?
Agente da PSP: Já aconteceu...
Eu: (incrédula) Não acredito nisto.
Bombeiro: De qualquer maneira temos de entrar em sua casa; é que um dia fomos chamados para uma situação semelhante, em que um senhor parecia estar a dormir e não acordava e quando arrombamos a porta verificamos que ele tinha tido um derrame cerebral e roncava como se estivesse a ressonar. Morreu a caminho do hospital.
Eu: (estarrecida) O quê?
Bombeiro: Vamos tentar acordá-lo, senão, temos de pedir a escada MAGIR.
O bombeiro começou então a dar fortes pancadas na porta entremeadas com gritos de
- Ó Senhor Croius, Ó Senhor Croius.
E ele sem acordar, sempre a ressonar, ou a roncar...
Chegou então o camião com a escada Magir, uma daquelas escadas extensíveis, que fazem muito barulho
- Trec Trec Trec
Nesta altura todos os vizinhos da rua estavam já acordados e à janela, eu nem conseguia pensar em nada, num misto de pânico e de vergonha, e um bombeiro do cimo da escada Magir com um megafone a orientar o operador da escada que estava em baixo
- Mais para a esquerda
Trec Trec Trec
- Mais para a direita
Trec Trec Trec
Enfim, lá encostou a barquinha da escada à varanda, entrou em casa pela cozinha e abriu-nos a porta, os meus vizinhos a dizerem-me para não entrar, porque podia ser grave e eu só queria entrar e ver o meu marido e quando lá cheguei já tinham acendido a luz e ele estava placidamente adormecido e o bombeiro a chamar por ele
- Chefe! Chefe!
E ele abriu os olhos e voltou-os a fechar, depois abriu-os com um ar assustado, puxou-me para ele e o meu vizinho do 4º Dto. disse
- Então pá, a tua mulher aqui preocupadíssima e tu não acordavas?
E ele só conseguiu dizer
- Eu estava a dormir.
Hoje recordo com nostalgia aquela madrugada de 2005 como "O Dia em que fui acordado por um bombeiro, um polícia e o meu vizinho do 4º Dto. vestido como um índio e não era um videoclip dos Village People".
segunda-feira, outubro 29, 2007
Já só faltam...
Ora bem 56 dias:
5+6 = 11
11 pode ser 1+1 = 2
Deve ser este o cálculo cabalístico que as associações de comerciantes e municípios fazem para colocar as iluminações natalícias: dois meses antes.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Diário Tecnológico
4 de Setembro de 2007:
Caminho de Santiago, Pontevedra - Padrón (34 Km)
Lá consegui consertar o espigão da bicicleta em Caldas de Reis, depois de ter partido a cavilha de amarração antes do Barro. Encontrei uma loja de reparação que estava a vender bom material ao desbarato por motivos de liquidação total (Total Carnificine).
Saí de Caldas em direcção ao Padrón e após uns cinco quilómetros, cheguei ao tasquinho onde já é tradição parar-se para descansar e carimbar a credencial. Estava outro peregrino na bodega a beber uma meia de leite. (Foi aqui que encontramos no ano passado a Ann, uma enfermeira canadiana que estava a fazer o Caminho Português, depois de já ter percorrido os 900 quilómetros do Francês. Ah, com 60 anos).
O casal de velhotes que explora o tasquito é muito simpático e conversamos um pouco; pedi uma água fresquinha e um kit-kat. Quando paguei, pedi à senhora que juntasse à conta os dois cafés que o meu primo e o meu irmão lá ficaram a dever no ano passado, quando vinham de León. Contas à moda do Porto.
Mais à frente, ao passar pelo peregrino, parei para falar com ele. Alemão, estudante de Informática e Sistemas, veio para a Santiago para trabalhar nas vindimas durante as férias. Como ainda não tinham começado naquela região disseram-lhe para tentar no Porto. Chegou lá na última semana de Agosto.
- Mas vindimas só começam em meados de Setembro, disse-lhe eu.
- Eu agora sei isso, mas quando saí de Hamburgo nem tinha pensado nesse pormenor.
No comments.
Lá me contou que resolveu fazer o Caminho desde o Porto, porque tinha de voltar a Santiago para apanhar o avião e assim não desperdiçava os dias que lhe restavam.
Perguntei-lhe então que tal estava a ver o caminho enquanto espaço cultural, monumental e patrimonial.
- Eu estou a gostar da experiência, da paisagem, das pessoas, mas como não sou muito cultural, tudo isso dos monumentos, dos museus e das igrejas passa-me um bocadinho ao lado.
Passamos o resto dos quilómetros que faltavam até ao Padrón a conversar sobre Defesa Nacional e Linguística Castelhana (isto não é cinismo, é a mais pura verdade).
25 de Outubro de 2007
Estou à espera pela minha mulher num dos cafés do centro de Viana do Castelo. Estão mais três clientes no café, sentados ao balcão, para além dos dois empregados. Na televisão o jogo Bolton vs Braga. Surpreendo a conversa nestes termos.
“- Olhe que eu acho que o Airbus é melhor que o 747, tem mais capacidade de manobra, é mais versátil. Ainda no outro dia estive a ler as especificações técnicas do aparelho; olhe que fiquei muito impressionado.
- Mas o acidente em Congonhas não foi com um Airbus?
- Foi, mas não podemos atribuir as culpas ao aparelho; o piloto aterrou em excesso de velocidade e em Congonhas, já se sabe, é muito perigoso, com aquelas construções mesmo em cima da pista...”.
Paguei o café, levantei-me e saí, gritando em plenos pulmões do meu pensamento:
quarta-feira, outubro 24, 2007
Vida Académica
"Continuam as matanças de gatos, à mocada, cá na República. Uma selvajaria. Só quem assiste a isto pode avaliar o que é um homem primitivo. Não há universidade que nos tire da idade da pedra lascada."
Miguel Torga, Diário, 1 de Março de 1933
segunda-feira, outubro 15, 2007
Esquerda ou Direita?
No outro dia fui fazer umas análises, para ver como está o funcionamento da máquina e para calibrar a minha compatibilidade antropométrica com possíveis doações, actividade desportiva, medicina do trabalho, etc e beltreca.
De madrugada, depois de embalar urina fresca no recipiente de recolhas, lá me dirigi em jejum como manda a legislação da colheita de análises para a clínica. Ali fui recebido por um daqueles técnicos de ar dantesco, outrora frequentes nas morgues e nos hospitais psiquiátricos dos anos 50, que preencheu enfadado o formulário após o que me conduziu para a “sala de colheitas”, nome tão pomposamente rural e descabido para aquele sítio, porque mais valia o nome “sala de tortura” ou “sala da cadeira e da marquesa”, já que lá só existia uma cadeira e uma marquesa.
Apontou-me a cadeira, daquelas forradas a napa preta, com um único apoio para o antebraço do lado esquerdo. Tirei a camisola e sentei-me. Como o técnico se colocou à minha direita, eu enrolei a manga direita da camisa e estiquei o braço dextro, esperando que ele acabasse de colar as etiquetas com os códigos de barras numa série de pequenas provetas. Findo esse trabalho, volta-se para mim, olha para os meus braços e pergunta
- Qual é o braço que prefere, o esquerdo ou o direito?
Eu ainda indico com os olhos o braço direito previamente desnudo até cima, mas ele desvia-se com um
- O esquerdo? Pois muito bem, ponha lá o bracinho à mostra.
Eu, esmagado com a capacidade de persuasão do meu olhar, lá enrolei a manga esquerda, ficando de mangas arregaçadas, ao que o tipo atira
- Pois é, parece que chegou o tempo fresco!
"NEM DE PROPÓSITO, CARALHO", quis-lhe dizer, mas só me saiu
- É o tempo dele.
Poderemos extrair uma certa moralidade desta experiência, para além da temática meteorológica que o português tanto aprecia quando não há assunto.
Valerá mais um esquerdo apoiado, que um direito arregaçado.
Croius
segunda-feira, julho 30, 2007
Uma Questão de Propriedade
Grandes e inusitadas cheias na Grã Bretanha e a Direcção de Informação da RTP envia logo NOÉ Monteiro para efectuar a cobertura da enchente, com barbas brancas e tudo. Transcendência e rigor de proporções bíblicas. O Serviço Público está a dar a volta por cima. Assim vamos lá.
quarta-feira, julho 04, 2007
Futebol, esse grande espectáculo de cor...
sábado, junho 23, 2007
Quanto vale a vida humana...
À volta da rua onde eu morava existiam ilhas (para quem não sabe o que são, procurem num dicionário de urbanismo ou vão ao Porto e perguntem por lá o que é, menos na Câmara, porque eles dizem logo não existem) e por alturas do S. João reuniam-se os seus habitantes num animado bailarico ali defronte da maternidade Júlio Diniz. Era animação até às tantas.
Eu mais oito rapazes da casa tratamos de participar, até porque habitantes do distrito, não éramos estranhos àquela gente. E também era uma oportunidade para engatar as meninas da residência feminina vizinha que mais parecia uma congregação de freiras com recolher obrigatório às dez horas todos os dias, mas porque aquele dia era tão especial, elas tinham licença para sair até à meia-noite. E todos sabemos o que é uma mulher presa quando se apanha solta.
Iam-se embora as meninas, suadas de dançaricos e de outros folguedos, mas nós ficávamos; apontávamos então os canhões para o magote de velhas a cheirar a peixe e sardinhas e novas desdentadas com olhos de droga e passávamos a noite a dançar e a rir, entrecortando o bailado com vinho das tascas, sardinhas e cervejas.
Num deses intervalos, um dos nossos, entusiasmado com a festarola tão típica e genuína, chegou-se a uma daquelas roulottes e resolveu pagar uma rodada aos seus camaradas e aos restantes presentes
- Sai aí doze cervejas fresquinhas, qu'eu pago, caralho!
- Ah leão, dissemos nós, dando urros de alegrias.
Nisto, os três indivíduos que não pertenciam ao nosso grupo, de aspecto indizível e caras entremeadas de pólvora e fósforos, abeiram-se de nós, envolvem-nos com os braços apertados pelo pescoço e o principal deles atira
- Meus amigos, generosidade destas não se esquece; se um dia precisarem de alguma coisa, de apagar alguém, ou assim, estámos à vossa disposição. Basta chegar aqui e perguntar pelo (...)
A vida humana valia, à altura, uma cerveja; hoje, devido à correcção monetária e à subida das taxas de juro, vale um pack de seis.
sexta-feira, junho 01, 2007
A Suar Dinheiro
Tudo oportunidades, mas existem falhanços. A Epilady falhou um autêntico Euromilhões ao não aproveitar o antes/ depois do bigode da Fernanda Ribeiro. E Vanessa Fernandes , a heroína do momento, ainda não foi repescada para o mundo do marketing desportivo. Mas não tarda muito que se veja um filmezinho na TV onde ela, depois de nadar, pedalar e correr cortará a meta e dirá, com aquele sorriso de arame:
"As pessoas perguntam-me como é que eu aguento as virilhas assadas de tanto andar por aí a correr em fato de banho. Respondo-lhes com Margarina Vaqueiro. Os assados saem sempre bem".
segunda-feira, maio 28, 2007
Duas verdades sobre o Futebol
2. Nos 20 anos da conquista da Taça dos Campeões Europeus festejada há dias pelo FC Porto, um jornalista televisivo atira a respeito dos Heróis de Viena
terça-feira, maio 08, 2007
Portugueses na Literatura Estrangeira II
2. Umberto Eco (Itália), A Ilha do Dia Antes, DIFEL, p. 265:
"Por exemplo em Macau, ah Macau, bastava só o pensamento daquela aventura para o padre Gaspar se transtornar. Era uma possessão portuguesa, os Chineses chamavam aos europeus homens de nariz comprido exactamente porque os primeiros a desembarcar nas suas costas foram os portugueses, que de facto têm um nariz compridíssimo, e também os jesuítas que vinham com eles. E portanto a cidade era uma só coroa de fortalezas brancas e azuis sobre a colina, controladas pelos padres da Companhia, que deviam ocupar-se também das coisas militares, visto que a cidade estava a ser ameaçada pelos hereges holandeses. O padre Gaspar decidiu fazer rota por Macau, onde conhecia um frade doutíssimo em ciências astronómicas, mas esquecera-se de que navegava num fluyt.
O que fizeram os bons padres de Macau? Avistado um navio holandês, agarraram-se logo aos canhões e colubrinas. De nada valeu o padre Gaspar esbracejar à proa e haver feito imediatamente içar o estandarte da Companhia, aqueles malditos narizes compridos dos seus confrades portugueses, envoltos no fumo belicoso que os convidava a uma santa carnificina, nem deram por isso, e força a fazer chover balas à volta de toda a Daphne".
Umberto Eco retrata assim uma das mais conhecidas proeminências do lusitano, o nariz, grande concorrente das unhas. Se tivessem sido os italianos a chegar primeiro à Ásia (parece que quando Marco Polo lá chegou, os tamanhos ainda não eram valorizadas), os chineses decerto nomeavam os europeus por os picaretas.
Se
Sou contra discursos paternalistas do tipo Eu bem te disse ou Eu Avisei. Também não suporto as tiradas auto-promocionais condicionais, como por exemplo Se não fosse eu..., mas temos de dar a mão à palmatória e perceber a grandeza do departamento médico do Benfica que pleno de espírito abnegado, lá vai lutando para que a equipa fique no terceiro lugar do campeonato.
Se não fossem eles...
quinta-feira, abril 26, 2007
O 25 de Abril e a Sociologia das Organizações
Militares
Isto é um levantamento militar. Pode-se entrar?
Porteiro
Um momento, vou ver se é possível.
segunda-feira, abril 16, 2007
Lesbicon Tension
quarta-feira, abril 11, 2007
Steve
Convém explicar que presença de roedores nestas latitudes, ainda que não seja insólita, não é comum. Existe por estes lados uma verdadeira equipa de extreminadores, constituída pelo pessoal da manutenção e limpeza e pelos gatos que frequentemente se passeiam pelos terraços do edifício. Apesar de ter a envergadura do meu polegar, denota-se que este bicho é um sobrevivente. Tratei logo de o apanhar, antes que perecesse decapitado numa das múltiplas armadilhas-guilhotina espalhadas pelos recantos do edifício ou que comparecesse nas emboscadas dos gatos.
Aprisonar um rato vivo é uma arte. Carece de isco e armadilha e demais manhas, por isso armei-me de bolachas de sementes de sésamo e um tubo transparente para rolos de papel, colocando o isco junto ao fundo, com o tubo na posição de deitado. Como o invasor se havia barricado por detrás do armário, montei ali a tocaia; passados três minutos já se ouvia o rilhar da bolacha amplificado pela acústica do tubo. Steve McQueen estava na cela.
As senhoras da limpeza vão-se passar quando virem o Steve no T3 de acrílico que lhe comprei nos "chineses". Prometo que lhe darei comida, água e boa música ambiente; em troca ele dá-me a sensação de que estou no controlo de algo na minha vida. Ah! E pode utilizar a net à noite, quando eu por cá não estiver.
sábado, abril 07, 2007
Agora, a sério...
quinta-feira, abril 05, 2007
O Exame
Indique o número de conta da qual poderemos debitar directamente a sua mensalidade da Ordem dos Engenheiros.
VER-GO-NHO-SO! Anda por aí muito Dr sem Doutoramento e ninguém lhes anda a espiolhar as carreiras académicas! Cambada de Pelintras!