quarta-feira, junho 15, 2005

Da Carne e da Salga

Depois de um ligeiro périplo por outras latitudes, voltamos à origem e à nossa salmoura. Depósito de carnes, casa de sal, nada mais saboroso do que fluir nas ramificações que o nacl (cloreto de sódio) nos transporta. O fiel amigo é mais saboroso quando seco ao sol depois da salga; requintado é o sabor das lágrimas, salgado, como é salgado o mar. Diz-se insossa da comida que não o tem, assim como das pessoas que não tem personalidade. E expressões como o sal da vida, o sal da terra?
O Sal. Tão valioso na antiguidade que os soldados eram pagos ao tempo da República Romana com quantidades dele (daí o termo salarium, salário), em que a maior parte da culinária dita de luxo entre os romanos envolvia uma pasta de peixe com sal, o garum ("ó Calpúrnia filha, ratazana frita recheada aos olhos de urso ainda vai, mas nunca garum") e o vieram procurar longe, na parte ocidental da Península Ibérica. O sal, ingrediente primaz da salmoura. No entanto, como tudo o que sabe bem é prejudicial à saúde, também o sal não é excepção: o consumo excessivo provoca problemas cardio-vasculares, entre outras maleitas. Perigo maior é a relação do sal com a carne, seja uma florzinha ou uns grãozinhos, pois apesar do apuro do sabor, é propício a enfermar o corpo.
Porquê esta repentina moralização? É que surgiu recentemente um lenitivo para esta associação tal malfazeja: já repararam nos outdoors da Calzadonia? Já viram aquelas carnes ali à vista da gente, com aquela camadinha de sal do bom, daquele que sai do mar? Meus senhores, têm de concordar comigo, bendito seja o pai que num feliz lampejo convenceu a mãe a produzir tamanho naco. Se os restaurantes tivessem publicidade destas, os talhos estavam sempre vazios!!!
Para os problemas e hipertensão arterial, uma menina da Calzadonia por dia, para exercitar ou simplesmente saborear. Certamente que não vai fazer caretas a este xarope!
Um derradeiro apontamento ... era de tomates alguém mandar um biqueiro na boca do Ronaldo (do Madrid), para assim o dito popular "dá Deus nozes a quem não tem dentes" fazer todo o sentido.

Croius

4 comentários:

Unknown disse...

Aqui vai uma sugestão da minha culinária macarrónica (sim, posso não ser um génio na cozinha, mas aprendi a sobreviver...). Pegue-se num pirex de preferencia redondo, onde possa caber pelo menos um pito inteiro. Cobrir o fundo com uma espessa camada de sal e meter o pito (depenado de preferencia e sem temperos) por cima do sal e ir ao forno a uma temperatura de 180/200 graus até ficar com a pele tostadinha, depois é só servir com qualquer acompanhamento, batatas, arroz, etc....

Abraço

kiko disse...

Pois a Calzedonia tem, realmente, um naco muito apetitoso... aliás... se reparar Doutor, verá que existem mais dois, também de grande qualidade... Deixe-me porém corrigi-lo: apesar do sabor, delicioso sem dúvida, auguro graves maleitas ao mais resistente dos estômagos, uma vez que a viciação que provocaria a prova de tão excepcional espécimen, aumentaria, concerteza o colesterol e a pressão arterial, bem como o aumento de circulação de todos os fluidos do corpo, provocando, por fim, um colapso total do indivíduo.... Mas que morte feliz seria!!!

hmscroius disse...

mannanan: em italiano esse pitéu denomina-se "pito na sala".
quioske: tem v. ex.cia toda a razão! Ele há belas formas de se morrer, sim senhor!

Miguel de Terceleiros disse...

Xasssusss! Espectáculo! Apartes, podias ter falado da "via Salária" e da salada.
Se me pagares o bilhete eu dou o dito "biqueiro" nesse impotente que é o Ronaldo!